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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O desenvolvimento motor dos atletas nas categorias de base e a especialização precoce

Texto publicado no site: http://www.cidadedofutebol.com.br/

Quando pensamos na formação dos atletas de futebol, um aspecto primordial para os profissionais da área é o conhecimento sobre desenvolvimento motor. Esta importância lhe é atribuída devido influência exercida pelos conteúdos aplicados em aula, que podem comprometer o desenvolvimento anatômico e/ou fisiológico, como na construção do acerto motor pelas crianças e adolescentes.

Neste contexto, buscando em Gallahue e Ozmum (2005) um referencial de desenvolvimento motor, no qual está dividido em fases e estágios, e demonstrado por meio da ampulheta de desenvolvimento, cujo o conceito se fundamenta no que denominam do “recheio da vida”, que seria a “areia” entrando na ampulheta por dois recipientes que influenciam no desenvolvimento: o hereditário e o ambiental. O recipiente hereditário (genótipo) possui uma quantidade fixa de areia. No entanto, o recipiente ambiental (fenótipo) não é limitado previamente, ou seja, a areia entrará de acordo com os estímulos encontrados no meio onde vive.

É oportuno ressaltar que durante o período de formação em locais destinados a prática do futebol, essencialmente estará presente neste recipiente ambiental, a figura do técnico ou do professor de educação física.

Figura 2- Modelo de Gallahue do desenvolvimento motor durante o ciclo da vida

Fonte – GALLAHUE E OZMUM, 2005 p.65

Concordando com o modelo de desenvolvimento motor descrito acima, Tani et al. (1998) relatam a necessidade maturacional do organismo para execução de algumas atividades, ou seja, uma criança jamais correrá antes de andar. No entanto, algumas crianças começam a andar primeiro que outras, tendo elas a mesma faixa etária. Neste cenário, está presente o princípio da individualidade biológica, assim como os estímulos presentes no ambiente onde vive, os dois aspectos influenciando no desenvolvimento.

Ao relacionar os conceitos anteriormente expressos a respeito do tema desenvolvimento motor ao ensino do esporte, podemos refletir em relação aos conteúdos aplicados (fator ambiental) em escolinhas e clubes de futebol, abordando uma questão importante no contexto da formação dos atletas de futebol, que é a chamada especialização precoce. Para isso, vamos ater-nos às duas últimas fases de desenvolvimento, pois é a faixa etária na qual, normalmente, se inicia a aprendizagem esportiva, assim como eleva-se a freqüência da prática do esporte.

Entende-se por especialização esportiva o período em que se adotam programas e métodos de treinamentos especializados. É quando a criança pratica sistematicamente, principalmente, um único esporte, tendo como objetivo participar de competições e aprimorar a técnica dos fundamentos, assim como desenvolver conhecimentos táticos e as capacidades físicas exigidas para aquela modalidade esportiva (SANTANA, 2001).

Paes (1996), aponta que devido a cobrança excessiva por resultados positivos em competições, nas categorias de base, os jovens são avaliados por suas capacidades físicas, pelo seu desenvolvimento diferenciado comparado as outras crianças ou jovens, levando-os a exercer uma determinada função ou posição específica, a qual, conseqüentemente, implicará no treinamento limitado das especificidades técnicas daquela posição. Este procedimento terá resultados imediatos para a equipe. Por outro lado, considerando a formação motora do atleta e a sua mudança de categoria, o mesmo sucesso dificilmente será alcançado, como coloca o próprio autor:

[...] terá uma serie de dificuldades, quase que insuperáveis para exercer a função que lhe foi ensinada no primeiro período de aprendizagem, pois na atual categoria, ele dependerá de outros elementos fundamentais que não lhes foram oferecidos no devido estágio. (PAES, 1996, p.56).

Dentro deste contexto, as crianças são submetidas a exercícios extremamente desgastantes, cópias fidedignas do treinamento dos adultos, onde realizam inúmeras repetições do mesmo movimento fora do contexto de jogo, com o objetivo de aprimorar ou refinar as técnicas usualmente utilizadas em determinadas posições, em fases onde o primordial não é a execução perfeita da técnica, e sim, a experimentação e aquisição de experiências motoras diversas que auxilie na construção de um repertório de respostas motrizes rico em possibilidades frente aos desafios do esporte.

Segundo Oliveira (1998, p.34):

Mesmo tratando-se de especializar, nada deve ser antecipado: a precocidade pode cercear a variabilidade de movimentos e prejudicar o desenvolvimento motor, comprometendo o futuro tanto pessoal quanto esportivo do individuo. Alias, a precocidade é um fator que, comumente, encontramos no esporte e revela um triste quadro de desconhecimento do que significa desenvolvimento motor e suas implicações sobre a vida.

A especialização é inevitável no esporte de alto nível, entretanto a aquisição das habilidades motoras especiais tem que ocorrer no tempo certo. O trabalho deve ser pautado em uma estrutura de treinamento adequado ao desenvolvimento individual, proporcionando uma formação básica múltipla, garantindo a aquisição de movimentos coordenativos gerais (WEINECK, 2000).

Sabe-se que necessariamente ao longo do processo de formação do atleta a especialização irá acontecer, mas quando acontece precocemente, estamos cerceando o direito da criança desenvolver padrões de movimentos gerais, básicos ou essenciais para o seu desenvolvimento motor. Além disso, carregam as implicações de serem considerados “mini adultos”, trazendo consigo todos os anseios, as pressões, as cobranças, a preocupação com o rendimento, em fases que o chamariz deve ser o brincar, o aprender, o prazer em praticar o esporte.

Nesse sentido, Scaglia (2003, p.61) indaga que “o esporte deve permitir ao iniciante a obtenção de uma cultural corporal, proporcionando ao jovem uma aprendizagem motora adequada”, culminando na fase pré-escolar e escolar num processo ensino-aprendizagem embasado em atividades e esportes diversificados, privilegiando a formação motora geral, para numa fase posterior iniciar o aprimoramento da técnica.

Tal pensamento vai ao encontro do raciocínio de Freire (2006), que enfatiza a necessidade de um ambiente rico em brincadeiras e sem sistematizações rígidas, transformando o esporte em um momento prazeroso e motivador, para que estas experiências favoreçam as construções motoras, sociais e cognitivas do praticante. Sendo assim, o autor apresenta a “pedagogia da rua”, proposta que visa a valorização da cultura popular relacionada ao futebol. As brincadeiras e jogos comumente praticados por crianças e adolescentes nas ruas, nos parques, nas escolas, devem ser preservados, isto é, além de respeitar e atribuir a devida importância aos conhecimentos prévios a respeito do esporte, amplia-se as possibilidades de aprendizagem, assim como a formação primordial de uma base motora consistente e preparada para futuros treinamentos mais específicos.

A partir deste estudo, percebemos a relevância do tema desenvolvimento motor e a enorme responsabilidade de professores de educação física e técnicos de futebol diretamente envolvidos nas categorias de base, pois lhe é concebido o poder de direcionar e influenciar o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes praticantes do esporte.


Referências Bibliográficas

FREIRE, JOÃO BATISTA. Pedagogia do futebol. 2.ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2006.

GALLAHUE, DAVID L; OZMUN, JOHN C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3.ed. São Paulo: Phorte, 2005.

TANI, GO et al. Educação Física Escolar: fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: EPU, 1988.

OLIVEIRA, MARCELO de. Desporto de base: a importância da escola de esportes. São Paulo: Ícone, 1998.

PAES, ROBERTO RODRIGUES. Aprendizagem e competição precoce: o caso do basquetebol. 2.ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

SANTANA. WILTON C. Futsal: metodologia da participação. Londrina: Lido, 2001.

SCAGLIA, A. J. Escola de futebol: uma prática pedagógica. In: NISTA-PICCOLO, VILMA (Org.). Pedagogia dos esportes. 3.ed. Campinas: Papirus, 2003.

WEINECK, JÜRGEN. Biologia do esporte. São Paulo: Manole, 2000.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para que serve a avaliação física?



A avaliação física é processo que identifica as condições físicas do individuo, suas possíveis limitações, assim como é uma ferramenta importante para verificar se os objetivos traçados para o período foram alcançados. Os dados coletados na avaliação física são fundamentais na elaboração do treinamento, seja para quem inicia ou para aquele que regularmente realiza atividades físicas, pois trás as seguintes informações:

- Avaliação de força, resistência e flexibilidade;

- Avaliação cardiorrespiratória (pressão arterial, limiar aeróbio e anaeróbio, volume de O2);

- Medidas antropométricas (dobras cutâneas, percentual de gordura, circunferências);

- Peso;

- Altura;

- Avaliação postural (cifose, lordose);

- Limitações físicas e contra-indicações;

- Teste de anamnese, incluindo hábitos alimentares, doenças genéticas, estilo de vida, etc.

Uma boa avaliação começa pela escolha dos protocolos e pela pessoa que a realiza, tendo que ser um profissional capacitado e treinado para tal função, para que os dados fornecidos mostrem a real condição do avaliado. Erros na escolha do protocolo ou na ação do avaliador trarão dados inexistentes, resultando na elaboração de um plano de treinamento inadequado. Por isso, as avaliações devem ser periódicas e sucessivas, o que permite avaliar e acompanhar a evolução do aluno, identificando se os objetivos traçados inicialmente foram alcançados. Além disso, serve para alterar o programa de treinamento e para estabelecer novas metas.

Abaixo segue um exemplo da importância da avaliação física.

Um aluno cujo o objetivo é emagrecer, ao iniciar um programa de treinamento está com 105 kg, 45% de gordura corporal e uma circunferência abdominal de 110 cm. Inicialmente, o objetivo é chegar aos 90 kg. O aluno ansioso para ver os resultados, todos os dias se pesa na balança de casa. Após alguns meses de treinamento chegou a 100 kg, ficando longe dos 90 pretendido. No entanto, a avaliação física identificou que o percentual caiu de 45% para 37% e a circunferência abdominal de 110 cm para 100.

A diminuição desses dois parâmetros é significativo para a saúde do individuo, assim como para motivá-lo a continuar praticando atividades físicas regularmente.

Movimente-se !!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Responsabilidade social: o esporte incentivando e contribuindo na educação dos jovens


Texto publicado no site: http://www.cidadedofutebol.com.br/

Quando colocamos em pauta o assunto responsabilidade social, imediatamente reconhecemos algumas vertentes de atuação das empresas: funcionários trabalhando como voluntários ou aplicação de recursos financeiros em projetos sociais, programas de qualidade de vida para colaboradores, sustentabilidade de comunidades localizadas em regiões próximas a empresa, etc.

Segundo Ashley (2002, p. 6), o conceito de responsabilidade social é assim definido:

Responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo especifico, agindo proativamente e coerentemente no que tange a seu papel especifico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela.[...] Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Nesse sentido, um exemplo que alia futebol e educação é o projeto “Bola pra frente, educação pra gente”, da empresa Alunorte, controlada pela Vale do Rio Doce, com participação da companhia Norueguesa Norsk Hydro, criado em 2001, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Este projeto acontece no município de Barbacena e Belém, envolvendo mais de 600 alunos de escolas públicas da cidade. Para integrar a equipe Alunorte Rain Forest (ARF), que todo ano participa da Copa Noruega, os adolescentes disputam um campeonato chamado Copa Alunorte, em que os 18 melhores jogadores são escolhidos para irem a Noruega. Mas, para isso, estes jovens devem ter boas notas na escola e fazer parte das ações Prêmio Educacional, no qual são realizadas palestras por exemplo, sobre violência doméstica contra a criança e o adolescente e sexualidade na adolescência, tendo como proposta a realização de trabalhos como redação, cartazes e avaliações periódicas. Segundo a Secretaria de Educação, o interesse pela escola aumentou em 19% em função do projeto.

Atitudes socialmente responsáveis como o projeto “Bola pra Frente, Educação pra gente”; o Programa Educação pelo Esporte, criado em 1995 pelo Instituto Ayrton Senna, desenvolvido com a Audi AG, da Alemanha e o Centro Rexona de Excelência de Voleibol, auxiliam na formação de jovens muitas vezes excluídos na sociedade e sem perspectiva de futuro, com um chamariz já praticado nas ruas, nas escolas, em parques: o esporte.

Sabemos que o esporte possui esta característica aglutinadora, sendo responsável direto pela integração de crianças e jovens em algumas ações sócio-educativas, beneficiando assim, não só a formação de um indivíduo socialmente ativo, com a oportunidade de modificar um cenário que lhe parecia nebuloso, mas também como na construção de uma sociedade com um pouco mais de igualdade, dignidade e respeito. Portanto, se existem ferramentas como o esporte, que levam os nossos jovens a voltarem à escola, isto deve ser incentivado por todos: Estado, iniciativa privada e sociedade civil.

Referências bibliográficas

ASHLEY, PATRÍCIA ALMEIDA. (Coord.). Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2002.

CASTRO, EDSON. Soma de futebol com esforço no estudo leva 18 jovens ao Norway Cup. Unisol, Universidade Solidária, 27 de agosto 2007. Disponível em: http://www.universidadesolidaria.org.br/site/pagina.php?idclipping=7863&idmenu=45. Acesso em: 08 de fevereiro 2008.

PASCHOAL, ENGEL. Responsabilidade Social e Ética: Esporte Social Clube. Colégio Módulo, 12 de maio 2003. http://www.colegiomodulo.com.br/Default.asp?Codigo=266&Secao=&SubSecao=. Acesso em: 08 de fevereiro 2008.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Esclareça mitos sobre como acabar com o acúmulo de gordura na barriga



Todo mundo conhece uma receita para emagrece e perder a barriga. Apelar para cintas compressoras, roupas que estimulem o suor na região da cintura e equipamentos específicos para fazer abdominais são algumas medidas recomendadas por aí. Mas será que elas surtem efeito? Para tirar a dúvida, o UOL Ciência e Saúde ouviu especialistas no assunto e conta, a seguir, o que é mito ou verdade.

1 - Vinagre de maçã ajuda a diminuir a gordura e afinar a silhueta

Mito. Segundo o endocrinologista Marcio Mancini, do Hospital das Clínicas de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), nehum tipo de vinagre ajuda a diminuir a gordura. O mesmo vale para o suco de limão.

2 – A Caralluma Fimbriata e outros produtos vendidos para emagrecimento possibilitam a perda de peso sem regime

Mito. Mancini avisa que a Caralluma não é remédio, mas um suplemento alimentar que nem possuía registro na Anvisa e estava sendo vendido ilegalmente no Brasil. Ele explica que outros remédios existentes no mercado tentam, de alguma forma, ajudar a controlar os hábitos alimentares, ou a eliminar parte da gordura ingerida (sem deixar que seja absorvida). De acordo com o médico, eles auxiliam, mas não resolvem o problema sozinhos.

3 - É possível perder gordura numa parte específica do corpo com exercícios localizados

Mito. Exercícios localizados utilizam gordura fornecida pela corrente sanguínea e não pelo tecido adiposo da região que está sendo trabalhada. O que é possível com esse tipo de exercícios é fortalecer a musculatura da área treinada. Com a musculatura tonificada, a região fica mais “durinha”, o que pode melhorar a aparência. Segundo Mancini, se a pessoa vai emagrecer mais no abdômen ou nas coxas, isso vai depender da predisposição genética de cada um.

4 - É possível perder gordura só na barriga

Mito. Mancini explica que as pessoas primeiro engordam na periferia do corpo (embaixo da pele, nos membros, nádegas, quadris), mas elas têm uma capacidade determinada geneticamente para ganhar peso nessas regiões. Depois que as células gordurosas da periferia ficam repletas, começa a ser armazenada gordura no abdômen, tanto embaixo da pele como profundamente, nos vasos e nos órgãos. Algumas pessoas praticamente não ganham peso na periferia (em geral homens de pernas finas, que quando engordam ganham peso no abdômen) e outras podem ganhar muito peso na periferia (em geral mulheres de quadris e coxas avantajados, que não engordam muito no abdômen). Para emagrecer, o processo é o mesmo.

5 - A caminhada é melhor que a corrida para queimar barriga

Mito. Mancini comenta que caminhar é ótimo, mas evidentemente correr aumenta mais o gasto calórico do que andar. A corrida é um exercício mais intenso que a caminhada e por isso causa um maior gasto calórico e consequente emagrecimento. É claro que tudo depende de quem está praticando. Para os mais sedentários, com menor condicionamento físico, a corrida pode ser um exercício intenso demais, e a pessoa não consegue manter o tempo suficiente para o emagrecimento. Nesse casos, a caminhada é mais indicada. Também em obesos e pessoas com problemas no aparelho locomotor, a corrida pode ser contraindicada por causa do impacto, sendo a caminhada uma boa opção (dentre outras).

6 - Os exercícios aeróbios são melhores pra perder gordura que os exercícios anaeróbios (como a musculação)

Parcialmente verdade. Os exercícios aeróbios são muito importantes para a saúde cardiovascular e, especialmente nos dois primeiros meses, muito eficientes para e perda de peso. Mas, como mostra o professor Paulo Gentil, do Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios (Gease), em seu livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas”, os exercícios anaeróbios intervalados (como por exemplo alternar 1 minuto de corrida na maior intensidade possível e 1 minuto de caminhada para descanso) se mostraram mais eficientes que os aeróbios em períodos superiores a dois meses. Mesmo nos dois primeiros meses, os exercícios intervalados apresentaram resultados semelhantes aos aeróbios, mas com menor perda de massa muscular. É importante não confundir perda de peso absoluto e emagrecimento. A perda de massa muscular diminui o peso, mas também diminui o metabolismo, podendo aumentar a tendência a engordar. A manutenção da massa magra é importante para a saúde do indivíduo (como massa magra entendemos tudo que não é gordura, em especial estamos falando de ossos e músculos que são pesados e podem causar diferenças significativas na balança). Os exercícios resistidos (como os de musculação) normalmente não são tão eficientes para a perda de peso quanto os aeróbios e os intervalados. Mas o Mancini explica que, quando se aumenta a massa muscular com os exercícios de resistência, o corpo passa a queimar mais calorias (os músculos utilizam muita energia para se manter). Portanto, os dois são importantes.

7 - Beber chope e cerveja aumentam a barriga

Parcialmente verdade. Essas bebidas têm calorias e podem engordar. Mas, como explica Mancini, o cada um engorda nas regiões em que é predisposto geneticamente. Dependendo da pessoa, pode ser na barriga, ou em outros locais como quadris, glúteos, pernas etc. Segundo o personal trainer Beto Fernandes, cada grama de álcool tem aproximadamente 7 calorias, e um copo de 300 ml de chope tem algo em torno de 120 calorias. Logo, a bebida ingerida em excesso engorda. Mas não adianta substituir o chope por qualquer outra coisa. O refrigerante com açúcar, por exemplo, tem aproximadamente a mesma quantidade de calorias que a cerveja e pode engordar igualmente. Vale lembrar que os petiscos que acompanham a cerveja também participam desse aumento de consumo calórico.

8 - Usar cintas compressoras de abdômen ajudam a perder barriga

Mito. A cinta causa uma compressão local temporária, pode ser a solução para aquela festa onde você precisa estar com a aparência perfeita, mas a longo prazo é preciso se esforçar, cuidando da alimentação e fazendo exercícios. Não há milagres. Mancini diz que com a cinta você só perde barriga na silhueta. Além disso, o uso constante dessas cintas pode causar falta de força na musculatura postural, que acostuma com o suporte extra. O ideal é tentar se policiar para manter a postura e a barriga para dentro, fortalecendo os músculos do abdômen que sustentam a barriga, ajudando a diminuir o volume.

9 - Fazer longos períodos de jejum ajudam a emagrecer e perder barriga

Parcialmente verdade. O jejum emagrece, os os quilos voltam rapidamente assim que a pessoa volta a comer, como explica Mancini. Além disso, o jejum prolongado pode oferecer risco de vida.

10 - Fazer exercício em jejum potencializa a perda de gordura

Parcialmente verdade. Não há ainda comprovações sobre a eficiência dos exercícios feitos em jejum. Algumas pessoas parecem não se adaptar, apresentando até mesmo desmaios (o corpo induz o desmaio devido a falta de energia disponível) e algumas pessoas apresentam menor desempenho no exercício, pois o corpo diminui o metabolismo. Já outros se adaptam bem a esse tipo de treino. Existem pesquisas que demonstram que em jejum a mobilização de gordura para a atividade é maior, mas esse efeito é muito pequeno. Segundo o professor Paulo Gentil, uma forma de explicar por que algumas pessoas conseguem emagrecer se exercitando em jejum é a redução da ingestão calórica diária, pois a pessoa precisa se programar para passar de 8 a 12 horas sem comer, além disso, é necessária força de vontade e disciplina, que podem ajudar na dieta e treinos.

Para Mancini, o sacrifício não vale à pena: há risco de mal estar, tontura, hipoglicemia.

11 - Fazer exercício com muitas roupas para manter o calor ajuda a emagrecer

Mito. Mancini explica que simplesmente suar não emagrece. O mesmo vale para a sauna. Com o suor você perde água, por isso muitas vezes observamos efeito na balança logo depois do exercício, mas você terá que repor posteriormente essa água perdida.

12 - Exercícios abdominais diminuem a gordura da barriga

Mito. Fernandes explica que, se a barriga proeminente for fruto de flacidez, o exercício abdominal faz o músculo voltar à posição anatômica normal e o volume diminui. Agora, se a barriga for causada por excesso de gordura, o abdominal não vai adiantar. O gasto calórico nos exercícios abdominais é pequeno, por isso não exerce grande influência no emagrecimento.

Como resume Mancini, exercícios abdominais fortalecem os músculos. Já os exercícios aeróbicos diminuem a barriga.

Site: Uol

Por Ceres Prado

Fontes: Beto Fernandes, personal trainer; Marcio Mancini, médico do Hospital das Clínicas de SP e presidente do departamento da obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem); e Paulo Gentil, presidente do Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios (Gease) e autor do livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas"

Movimente-se !!!!


Os futuros talentos esportivos freqüentam as aulas de Educação Física. Mas, quem são eles?

Texto publicado no site: http://www.cidadedofutebol.com.br/

Em todos os esportes, sejam eles coletivos ou individuais, normalmente, existe a procura por crianças que demonstrem principalmente capacidades físicas e habilidades diferenciadas, e com isso, grande perspectiva de se tornarem atletas profissionais. Alguns serão escolhidos por meio de processos seletivos realizados nos clubes e outros por indicação de amigos, professores de Educação Física ou pessoas influentes dentro de um determinado ambiente esportivo. Este processo de identificação é um dos grandes dilemas da atualidade, no qual cabem estudos aprofundados com o intuito de não perder futuros potenciais atletas devido a falhas nos critérios utilizados.

Para Barbanti (2005), um ponto importante a ser observado é a tradicional divisão por idades, pois uma criança pode apresentar uma variação de até três anos no desenvolvimento físico. Por isso, são comuns casos de crianças que se destacam em uma faixa etária devido ao desenvolvimento diferenciado em relação aos colegas, e que, no processo natural de mudança de categoria, no qual as capacidades físicas estão mais equiparadas, não mantém aquela superioridade apresentada na fase anterior.

No futebol as chamadas “peneiras” são realizadas não só para selecionar garotos para serem treinados, mas também como fonte de captação de recursos. No entanto, infelizmente, por falta de competência administrativa dos mesmos, nem sempre, há um planejamento a longo prazo consistente e delineado que, com a venda de jogadores, após a profissionalização, possibilite um retorno financeiro suficiente para suprir os investimentos aplicados na formação dos atletas.

No mesmo sentindo, as famílias dessas crianças almejam um futuro financeiro melhor a partir do “sucesso” tão sonhado para seus filhos no ambiente esportivo do futebol, pois em um país em que as diferenças sociais são gritantes, com uma distribuição de renda extremamente injusta, uma “válvula de escape” para uma possível mudança social é o esporte, especialmente o futebol que é recheado de historias de superação e aumento considerável de poder aquisitivo, apresentado pela mídia.

Uma proposta diferente dos métodos tradicionais de detecção de talentos esportivos é o Projeto Descoberta do Talento Esportivo ocorrido em 2006, uma parceria do Ministério dos Esportes e do governo de Estado de Mato Grosso do Sul, por meio das secretarias de Educação (SED) e de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel). Os alunos de 20 escolas estaduais de Campo Grande, foram submetidos a um processo de identificação de potenciais talentos para o esporte, por meio de nove testes de aptidão física. Os alunos que apresentam talento para qualquer modalidade esportiva, serão cadastrados em um Banco de Talentos, do Ministério do Esporte. Este banco fica disponível no site do Ministério para ser consultado por entidade de esportes competitivos. Além disso, os alunos com talento para o tênis, futsal, atletismo e ginástica olímpica serão integrados ao Programa Estadual de Formação de Profissionais e Atendimento aos Alunos com Altas Habilidades/Superdotação, desenvolvido pela SED. Dentro do programa esses alunos receberão apoio e treinamento para que possam desenvolver suas potencialidades para o esporte.

Não se sabe se este projeto é o mais adequado para identificação de jovens talentos, mas, não se pode negar que no ambiente escolar nos deparamos com alunos diferenciados durante a prática de alguns esportes, principalmente o futebol, que no país é o esporte mais praticado. Até por essa influência cultural, algumas crianças apresentam extrema facilidade na pratica do futebol, não sendo mais desenvolvido devido à falta de oportunidades e incentivos.

A escola é um celeiro de jovens talentosos, portanto, caberia um projeto específico governamental ou privado para que potenciais não sejam perdidos e que não dependa apenas da boa vontade do professor para encaminhá-los a clubes ou escolinhas de esportes. É evidente que a proposta da Educação Física escolar não é e nem deve ser formar para o esporte profissional, só que fechar os olhos para futuros atletas não seria a melhor atitude, pois certamente estas pessoas freqüentam a escola e, conseqüentemente, as aulas de Educação Física.

Referências bibliográficas

BARBANTI, VALDIR J. Formação de esportistas. Editora Manole, 2005.

ALVES, VIVIAN DE CASTRO. Testes em 20 escolas estaduais destacam talentos esportivos. Sed, Mato Grosso do Sul , 20 abril 2006. Disponível em: http://www.sed.ms.gov.br/index.php?templat=vis&site=98&id_comp=213&id_reg=1712&voltar=lista&site_reg=98&id_comp_orig=213. Acesso em: 02 de novembro de 2007.